05/08/2013 21h17 - Atualizado em 05/08/2013 21h57
Salil Shetty visitou o Conjunto de Favelas da Maré nesta segunda-feira.
Secretário criticou decisão da PM em revogar as punições à corporação.
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Shetty, à esquerda, visitou a Maré nesta segunda (Foto: AF Rodrigues/Anistia Internacional)Segundo Shetty, a reunião com moradores e presidentes de associações de moradores do Complexo da Maré teve como foco a impunidade policial, abusos da polícia em sua relação com os moradores de comunidades e a consciência dos direitos humanos.
“Na Maré, estamos trabalhando com as associações de moradores para prepará-los para o projeto de pacificação e a implantação da UPP. Precisamos fazer as pessoas ficarem mais cientes de seus próprios direitos, senão o medo vai permanecer”, alertou o secretário, elencando os focos da ação da Anistia Internacional.
“Além do uso excessivo de força da polícia nas manifestações, o nosso foco é impunidade policial e segurança pública. E os casos de mortes e desaparecimentos nas favelas do Rio se somam”, disse o secretário-geral, que lembrou das 13 mortos ocorridas na Maré no início de julho deste ano, assim como o desaparecimento do pedreiro Amarildo, no dia 14 de julho. “Os dois casos têm algo em comum, a impunidade policial, que é certamente uma das nossas maiores preocupações”, analisou.
'Impunidade é mãe da violência'
Shetty aproveitou ainda para criticar a decisão da PM do Rio de revogar todas as punições aos policiais do Estado que ocorreram desde 2011. Segundo ele, o Brasil “não pode apoiar uma contradição aos direitos humanos como essa.”
“Ouvi de um morador da favela a frase: “A impunidade é a mãe de toda a violência e crime, uma vez que as pessoas podem fazer de tudo e nada acontece com elas. E é isso mesmo", analisou o secretário-geral.
Números alarmantes
Shetty chamou a atenção para o número de casos de homicídio no país, que tem, segundo ele, uma das “maiores taxas de homicídio do mundo.”
“Se você olhar para as estatísticas das Nações Unidas, chega a 2 mil por ano. E muitos desses casos não são investigados, não são resolvidos, não chegam a uma conclusão”, disse ele, que criticou ainda a diferença social de tratamento da polícia entre as partes ricas e pobres da cidade:
“Se você vive em Ipanema ou no Leblon, você não pode entrar na casa de alguém no meio da noite ou dar tiros em frente à casa das pessoas e sair ileso. A única razão pela qual isso acontece nas favelas porque essas pessoas que moram nas favelas são pobres e não têm uma voz tão forte”
O dirigente ainda lembrou que a proximidade dos grandes eventos, como a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, faz o trabalho dele ainda mais necessário:
“Segurança Pública e direitos humanos têm que estar interligados, sempre. Teremos Copa do Mundo e Olimpíadas muito em breve, então é uma grande oportunidade para ouvir as pessoas e evitar que esse tipo de intimidação e violência aconteçam”, finalizou.
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